terça-feira, 27 de janeiro de 2009

BEN ABRAHAN - A HISTÓRIA DE UM SOBREVIVENTE DO HOLOCAUSTO


Foram 6 anos em campos de concentração. A adolescência inteira presenciando e vivendo as atrocidades cometidas contra o povo Judeu. Ben Abraham que hoje está com 85 anos, foi liberto das garras dos nazistas aos 20 anos de idade. Autor de mais de 15 livros, entre eles “E o Mundo Silenciou”, Abraham conta suas experiências e diz que o que o salvou foi a esperança.

No dia mundial do Holocausto, 27/01 conversei com Abraham e me emocionei com a história de vida de um sobrevivente...

foto: Ben Abrahan e Ana Luísa Médici

Ana Luisa: Qual a importância do dia mundial do Holocausto?
Ben: É muito importante para se lembrar o que aconteceu, para se aprender com o passado como viver no presente e enfrentar o futuro, para não permitir que as mesmas atrocidades e injustiças se repitam para qualquer pessoa por causa de sua origem, religião ou seu povo.

Ana Luisa: O Sr. Foi para o campo de concentração com quantos anos? E quais as lembranças dessa época?
Ben : Eu fui encarcerado aos 14 anos e fui libertado aos 20. As lembranças são muito tristes, presenciei enforcamento em massa, fuzilamentos, torturas e fui torturado. Você não pode imaginar todas as coisas ruins que aconteceram nessa época. Pessoas na frente das câmaras de gás...despidas...do chaminé do crematório de Auchwitz jorrando fumaça junto com fogo. Eu sentia nas minhas narinas o cheiro de carne queimada...Passei tudo isso, preso, cercado por arame farpado eletrificado. À noite, quando saíamos, víamos muito gente se jogar em cima da cerca, se suicidar por que não agüentavam mais a vida no campo. E eu estou aqui...para contar...para lembrar.

Ana Luisa: O Sr. Tinha esperança de sobreviver?
Ben: Se eu não tivesse esperança de sobreviver à guerra, uma meta que eu mesmo fiz: a de contar tudo depois que acabasse a guerra. Eu só sobrevivi por isso! No Campo, quando uma pessoa perdia a esperança, ela morria.

Ana Luisa: Como foi a recuperação depois que o Sr. Saiu do Campo?
Ben: Quando fui libertado eu pesava 28 kg, estava com tuberculose dupla, desinteria com sangue e sobrevive...e estou aqui com vocês.

Ana Luisa: Por que o Sr. Escolheu o Brasil?
Ben: Porque quando criança eu ouvia conversas de meu pai com seus amigos, dizendo que gostaria de vir ao Brasil. Ele dizia que o tio dele escrevia dizendo que era um país bom, com povo tolerante...meu pai dizia que gostaria de vir ao Brasil e depois da Guerra me lembrei dessas palavras e escolhi o Brasil. Hoje, sou cidadão honorário.

Ana Luisa: O que fica para nós da história da Segunda Guerra Mundial. O que o Sr. Vê para o futuro?
Ben: Eu acho que a humanidade não aprendeu nada. Depois da Segunda Guerra, muitas outras continuaram a existir e milhares de pessoas continuaram a sofrer.

Ana Luisa: Uma coisa que eu sempre me perguntei e gostaria de saber se o Sr. Já se perguntou sobre isso. Um povo como o Alemão tão civilizado...Como pode ter se deixado levar por uma pessoa como Adolf Hitler ? O Sr. Já se perguntou sobre isso?
Ben: Eu tenho pensado... que se um tal Hitler, um homem que surgiu do nada, conseguiu transformar um povo tão civilizado como o alemão...o que pode acontecer com qualquer outro povo se surgisse outro tirano? Eu espero que as atrocidades feitas contra os Judeus não voltem a acontecer com nenhum outro povo...

A HISTÓRIA
Sob a doutrina do terceiro Reich imposta por Adolf Hitler, cerca de sete milhões e quinhentas mil pessoas perderam a dignidade e a vida em campos de concentração. O Nazismo visou principalmente os Judeus, mas não poupou também ciganos, negros, homossexuais, comunistas e doentes mentais. Estima-se que seis milhões de Judeus tenham morrido na segunda guerra mundial, o que representava 60 % da população judaica na Europa.
Holocausto em Hebraico significa destruição, catástrofe, ruína. Foi assim que os Judeus denominaram a perseguição em massa feita pelos nazistas de Hitler contra seu povo.
E para homenagear às vitimas do holocausto, as Nações Unidas instituíram o dia 27 de janeiro como Dia Mundial da Lembrança do Holocausto – foi nessa data, em 1945 que os soviéticos liberaram o amis famoso campo de concentração do Mundo, o de Auschwitz, na Polônia.

5 comentários:

Jayson Vieira disse...

Oi Ana!!!Tudo bem?
Não sabia que você tinha um blog!
Não sei se ainda se lembra de mim. Trabalhamos no Bandnews.
Agora vou estar sempre por aqui .
Ótima entrevista1 Que história do sr Ben.
Não deixe de postar, estarei sempre passando por aqui.
Bjs
Jayson

Unknown disse...

Prezada,

Sabendo pelo informado em teu blog que és jornalista, pergunto se o jornalista deve ser ou deve estar comprometido com a verdade.
Por qual motivo pergunto ?
Simples, pelo fato de que no mínimo deve haver verdade para que haja crédito ao jornalista ou ao entrevistado.

Em teu blog afirma que foram mortos 7,5 milhões de pessoas pelos alemães. No livro "Holocausto" de Ben Abraham, é contabilizado o número de 9 (nove) milhões de pessoas.

Pergunto, qual é a verdade e quem a informa ???

Devo relatar que o teu entrevistado, participou de um debate televisivo nacional no ano de 1989, pela TV Bandeirantes, onde afirmou com dedo em riste, ter permanecido preso em Auschwitz por 5 (cinco) anos.

Um ano após, em entrevista a um canal local no Rio Grande do Sul, afirmou à jornalista que o entrevistou, ter permanecido apenas duas semanas e meia (17 dias).

Quando um entrevistado contradiz seus relatos de forma pública, notória e registrada, qual o crédito deve ser imputado à veracidade das informações prestadas ?

O jornalismo defende a verdade sob a ótica dos fatos ou o sensacionalismo midiático sob invenções e estórias movidas pela mentira ?

Diante de vossa entrevista, com base nos relatos do próprio Ben Abraham em seus livros "Holocausto" e "E o mundo silenciou", também ao exposto no debate televisivo organizado pela TV Bandeirantes em 1989, quem mentiu contra minha pessoa ?

Quem propõe a transformação da verdade em informações que agridem meu senso crítico ? O entrevistado ou o jornalista ?

O trabalho em si desenvolvido por Vsa. é muito bom, mas está viciado em situações execráveis do ponto de vista da legitimidade jornalística. Propagar a mentira, sem a moderar ou sequer buscar a verdade dos fatos. Fatos estes não daquilo que foi relatado, mas sim da atitudes das pessoas ao longo do tempo.

Qualquer dívida sobre minha afirmação visite o seguinte link:

http://www.inacreditavel.com.br/novo/mostrar_artigo.asp?id=130

Atenciosamente,

Werner

הלאום disse...

Prezada Ana Luisa,

Gostaria de elogir o seu trabalho jornalistico, ao abordar um assunto tao importante : o holocausto. Sou um judeu brasileiro, cidadao israelense, editor do Site Jornalistico Haleom http://haleom.com
e do Blog Anoussitas http://anoussitas.blogspot.com
Hoje (12/04/10), o Dia do Holocausto, em Israel, preservamos a memoria dos 6 milhoes de judeus exterminados pelo regime nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. O Estado Judeu, renascido das cinzas do holocausto, ao consolidar-se como uma potencia, coloca-se de prontidao, a fim de defender a integridade do Povo Judeu e impedir um novo holocausto.

Atenciosamente,
Asher Ben-Shlomo

Laninha disse...

Que coisa chata né?

É tão triste ver que os judeus estão fazendo o mesmo horror com os palestinos.

Está + que na hora de enterrar esses mortos. O perdão é fundamental ainda + porque foram os sionistas que causaram a tragédia da 2ª GM que aniquilou 45 milhões de pessoas, todas especiais e únicas. a este massacre dá-se o nome de Holocausto dos Esquecidos porque até a lembrança das vítimas é negada. 29 milhões de eslavos, 29 milhões e eles sequer podem colocar flores nos túmulos de seus mortos.

Enfim, manda quem pode.

núbia disse...

Parabéns pela excelente entrevista com o sr. Ben Abraham. Tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente. Tenho o prazer de contar sua história para todos os jovens em meu entorno. Vida longa ao mesmo. que estas atrocidades jamais se repitam contra quem quer que seja.